(Fato ocorrido há tempos, ouvido por narração.)
Chega assustada a pequena Francisca, contando à mãe: A Cila caiu no poço! Atarefada, a mãe entendeu: a tampa caiu no poço. “Deixa, quando o Luiz chegar da escola ele tira”. A pequena, alarmada, correu contar ao pai. Este, sem perder tempo: Não, foi a Cila que caiu no poço!
O pai, homem alto e decidido, entrou no poço, apoiando as pernas nos vãos das pedras até alcançar a menina assustada, batendo-se de encontro às pedras. Cila enlaçou-se ao pai fortemente e assim chegaram à borda. O mais grave foram as batidas da cabeça e costas de encontro às pedras. Com o desvelo dos pais, foi acalmada e limpa. A mãe não dispensou compressas das boas e conhecidas até hoje, plantas que curam. Assim, tempos mais tarde, continuaram a brincar com bonecas em lugar mais seguro.
Cila (Cecília), a protagonista do episódio, foi mãe, avó e bisavó – viveu 92 anos com serenidade divina.
Casa da vó Dorinha
sábado, 18 de dezembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Amor aos animais
Esse foi o traço maior de toda a família. Vaga lembrança minha, quando pequena, foi a Mica. Peluda e escura. Calo, aqui não cabe tristeza. Outros, por acaso, chegaram: o Perigoso, traseiro alto, provável fratura da coluna. O esperto, alegre e social Rex adorava ficar acomodado ao nosso lado no sofá da sala. Se continuar, o papo vai longe.
A Ceci, irmã caçula, trata duas cachorras com todo o cuidado. Uma, Suzy, apareceu enjeitada no portão do nosso irmão. Lá foi recebida e tratada da melhor maneira. Aconteceu dar cria a 10 cachorros. Todos saudáveis e encaminhados para doação. Exceto uma cachorrinha branca, bonita e forte. Bianca era a que ficou na casa. Cresceu junto com a preta Suzy, mais baixinha. Não se largam: brigas, brincadeiras e sonos nas respectivas caminhas, nada pequenas, pelo avantajado corpo das duas. Ao toque de chegada de alguém, correm latindo forte. É preciso isolar para o canil. Cuidam da dona, mas exigem colo e carinho, nada pouco.
A Ceci, irmã caçula, trata duas cachorras com todo o cuidado. Uma, Suzy, apareceu enjeitada no portão do nosso irmão. Lá foi recebida e tratada da melhor maneira. Aconteceu dar cria a 10 cachorros. Todos saudáveis e encaminhados para doação. Exceto uma cachorrinha branca, bonita e forte. Bianca era a que ficou na casa. Cresceu junto com a preta Suzy, mais baixinha. Não se largam: brigas, brincadeiras e sonos nas respectivas caminhas, nada pequenas, pelo avantajado corpo das duas. Ao toque de chegada de alguém, correm latindo forte. É preciso isolar para o canil. Cuidam da dona, mas exigem colo e carinho, nada pouco.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Um momento especial para Lia
Lia na corda bamba
do caminho, sentia
que não caía
Pequena estatura
Pisava firme o chão
Subia à altura
Consertava goteira
Do telhado molhado
Bom trabalho desprendido
O melhor que existe
Para o caminho de deus
É só isso? É muito mais.
Fique sempre como é, humilde, simples, atenção redobrada – o melhor que você quer. Já dizia Shopenhauer, “a simplicidade é o selo da verdade”.
do caminho, sentia
que não caía
Pequena estatura
Pisava firme o chão
Subia à altura
Consertava goteira
Do telhado molhado
Bom trabalho desprendido
O melhor que existe
Para o caminho de deus
É só isso? É muito mais.
Fique sempre como é, humilde, simples, atenção redobrada – o melhor que você quer. Já dizia Shopenhauer, “a simplicidade é o selo da verdade”.
A avó polonesa
Vovó chega de Cracóvia, Polônia, fins do século 19. Só conheci na minha vida uma única avó. Ainda parece nítido, até hoje, seu caminhar na larga varanda de casa. Seu descanso na cadeira de balanço era o crochê, fazia belos xales e xalemantas de lã, para dias mais frios. Não saía sem o costumeiro “fichú”, como ela dizia, cobrindo a cabeça. Saias, à altura dos tornozelos. Completava uma bata branca, confortável simplicidade.
À chegada dos netos, ela pedia: toque ao piano algumas “krakoviak” ou “mazur”. Animava e cantarolava modinhas e rezas da sua infância. Assim foi sua passagem por todos nós.
À igreja polaca, só eu a acompanhava. Deu-me rosário de pedrinhas vermelhas, ensinava-me: de pé, cabeça baixa, de joelhos, sinal da cruz. Pai Nosso rezado por todos. Oração sempre terá lugar em nosso coração. Pensar, meditar com convicção só fará bem.
À chegada dos netos, ela pedia: toque ao piano algumas “krakoviak” ou “mazur”. Animava e cantarolava modinhas e rezas da sua infância. Assim foi sua passagem por todos nós.
À igreja polaca, só eu a acompanhava. Deu-me rosário de pedrinhas vermelhas, ensinava-me: de pé, cabeça baixa, de joelhos, sinal da cruz. Pai Nosso rezado por todos. Oração sempre terá lugar em nosso coração. Pensar, meditar com convicção só fará bem.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Sobre Frank Sinatra e Tom Jobim
(Escrito com base na Folha Ilustrada de 27/08/2010)
Corria o ano de 1957, quando Dolores Duran escreveu a letra Por Causa de Você. Tom ouviu e comentou: “Imagine, Dolores, Sinatra a cantar a nossa música!” Dolores completou, dizendo: “Cantará, sim, só quando o homem for à Lua”.
Bem, 12 anos depois, no dia 11 de fevereiro de 1969, Frank Sinatra gravou Don’t Ever Go Away (Por Causa de Você), de Tom Jobim e Dolores Duran – precisamente cinco meses e nove dias antes que o homem pisasse à Lua pela primeira vez, no dia 20 de julho de 1969.
Frank Sinatra e Tom Jobim – a química dos dois já incorporada, resultara no mágico LP de 10 faixas, no ano de 1967. A capa mostrava Sinatra ao microfone e Tom ao violão, envoltos numa névoa de cigarros perfeitamente adequada para a época. Por que Tom ao violão e não ao piano?
Os americanos de 1967 não estavam prontos para um mortífero “latin lover” que não tocasse violão. O 19º lugar do disco (na lista de 100), categoria LP, e os sete meses nas paradas, puxados pelo sucesso The Girl From Ipanema tornaram obrigatório um repeteco: 2º disco, Sinatra /Jobim. Com Tom ao violão, gravado em fevereiro de 1969, com 10 canções do repertório de Tom. Frank deixou seu selo em Se Todos Fossem Iguais a Você; Água de Beber; Triste; Wave; Samba de uma Nota Só; Estrada Branca e a citada Por Causa de Você. Por estas o LP estaria no papo. Sinatra implicou com as versões de Sabiá, Bonita e Desafinado. Mas só agora com Sinatra/Jobim, as 20 gravações saem em um só disco. Não se percebe nenhum esforço de Sinatra para cantar Sabiá e Bonita, ambas excruciantes de beleza. Quanto a ele e Tom parecerem se chamar de “my Love” em Desafinado, que besteira – os dois eram machos o suficiente para não esconder a admiração que sentiam um pelo outro.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Flocos de neve
O inverno agrada uns, mas desagrada outros: “saí do forno, entrei na geladeira”, dizem. É bom o frio quando o sol brilha no céu azul e dá-nos agradável calorzinho.
É ruim se persiste chuva ou garoa fina. Desagradável às crianças e a todos em geral. Afinal, é isso, é a lei da natureza.
Uma criança da sua caminha saltou correndo alcançar o peitoril da janela envidraçada com enfeite de renda bordada. Voz alertou: olha a neve! Seus olhos deram com incrível visão jamais conhecida. Eram retalhinhos, nem flocos, nem bolinhas, mas semelhante a losangos. Jamais esqueci a forma da neve. Sem chuva, sem vento, os pequenos losangos deslizavam calmos sobre o jasmim, o qual renasceu. Foi tal como conto de Tolstoi, logo descansaram no jardim. À essa criança foi sonho encantado, semelhante à mágica momentânea vinda do céu, enviada dos anjos.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Pensamentos
Há um motivo que dá sentido ao viver: procurar dar algo especial ao mundo que nos ajude a atravessar os bons e os maus momentos.
Nunca pense em construir algo grandioso. Lembre que a vida se compõe de pequenas coisas de inestimável valor.
Ame o próximo sem distinção, mas, antes, ame a si mesmo. Só então estará apto a servir alguém com dignidade.
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