segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pensamentos



Há um motivo que dá sentido ao viver: procurar dar algo especial ao mundo que nos ajude a atravessar os bons e os maus momentos.

Nunca pense em construir algo grandioso. Lembre que a vida se compõe de pequenas coisas de inestimável valor.

Ame o próximo sem distinção, mas, antes, ame a si mesmo. Só então estará apto a servir alguém com dignidade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Chandóca


Foi uma galinha ruiva que a fantasia da menina Sissa chamou de Chandóca. Cresceu entre outras, destacada pela cor avermelhada. Passeava devagar pelo quintal, diferente da esperteza das outras. Cacarejar jamais fora seu hábito. Chocar ovos, nunca. Sissa afeiçoou-se logo por ela. Acolhia-a aconchegada aos seus bracinhos meigamente.
Raramente visitava a casa da vizinha, dona Dirce. Esta estranhou a “postura” inédita da ave. Sempre calma, olhava o ambiente. Bem tratada, saía de volta à Sissa, esperada no portão. Para a panela, jamais iria. Viveu o tempo justo e maior possível de vida para a Chandóca.
É preciso saber cuidar, olhar com carinho aves e outros bichinhos. Todos dão valor ao amor que recebem e retribuem. Pena que a vida é curta, mas a lembrança viverá eternamente.

João Braz

Quem foi este homem? Conhecido tipo popular de Curitiba. Sua ocupação era limpar e dar brilho às placas metálicas afixadas às casas de comércio, bancos, jornais e outros, usados tempos atrás. Seu tipo físico: magrinho, cor preta, pernas tortas e os pés espalhados. Passava com força raspadeira sobre a calçada, produzindo faíscas para atrair a criançada. Estas, assustadas, gritavam: “é o pé espalhado”!
Meninas brincavam vestidas de moça – sapato alto, chapéu, alguma pinturinha no rosto. Tudo o que as tias elegantes usavam. Nesta altura, uma delas deu no pé, sumiu, correu o mais que pôde. Conseguiu entrar no armazém da dona Anna e do senhor José Sysak. A Lelinha, pois era ela, a priminha. Pálida e trêmula do susto, foi agradada por dona Anna, que lhe ofereceu azeitonas verdes. Ficou pitorescamente lembrada: dona Azeitona.
Muitas brincadeiras inventávamos nas férias: pular cordas, subir nas árvores, jogar diávalo, bilboquê, caracol ou amarelinha. Coisa boa era a balança, pendente da forte árvore bracatinga, ao lado da varanda. Frutas: pêra, pêssego, uva eram a delícia, também milho e amoras. Hora nada boa era voltar às suas casas. Pena! Mas voltarão em breve para novas brincadeiras.