segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A avó polonesa

Vovó chega de Cracóvia, Polônia, fins do século 19. Só conheci na minha vida uma única avó. Ainda parece nítido, até hoje, seu caminhar na larga varanda de casa. Seu descanso na cadeira de balanço era o crochê, fazia belos xales e xalemantas de lã, para dias mais frios. Não saía sem o costumeiro “fichú”, como ela dizia, cobrindo a cabeça. Saias, à altura dos tornozelos. Completava uma bata branca, confortável simplicidade.

À chegada dos netos, ela pedia: toque ao piano algumas “krakoviak” ou “mazur”. Animava e cantarolava modinhas e rezas da sua infância. Assim foi sua passagem por todos nós.

À igreja polaca, só eu a acompanhava. Deu-me rosário de pedrinhas vermelhas, ensinava-me: de pé, cabeça baixa, de joelhos, sinal da cruz. Pai Nosso rezado por todos. Oração sempre terá lugar em nosso coração. Pensar, meditar com convicção só fará bem.

Um comentário:

  1. Que delicia ter uma memoria tao boa e lembranças tao carinhosas....voce é muito especial !

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